ANDRÉ PLEZ

ANDRÉ PLEZ

Autor escreve livro de poemas inspirado no governo  bolsonarista

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

André Plez é escritor e poeta, e também apaixonado por seu outro modo de vida: ser professor de língua portuguesa. Faz doutorado em educação, possui mestrado em linguística e é especialista em literatura brasileira. Natural da cidade de Mococa/SP, se dedica à leitura e escrita literária desde a infância.

 

“Como disse Aristóteles, a poesia é mais densa, reveladora e autêntica que os tratados de história. Por isso, a urgência desta obra em versos, que explodiram sem pedir licença, buscando descrever o horror que é viver no Brasil do bolsonarismo, tendo como protagonistas, além do verme, o vírus.”

 

Boa leitura!

 

Escritor André Plez, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever e publicar um livro de poemas inspirado no governo bolsonarista?

André Plez - Um poema pode falar sobre qualquer tema possível, desde o singelo cair de uma folha, até a desolação humana diante do horror, como no holocausto. O livro procura refletir e refratar a travessia tempestuosa na qual vivemos, pois estamos imersos na pior crise sanitária dos últimos tempos. Além disso, no Brasil, além da pandemia, também passamos por um pandemônio, personificado na figura do “verme”, aqui entendido com o inominável presidente da república. Inspirado nesse “duplo caos”, os versos buscam descrever o que é viver em um país como o Brasil durante a pandemia, no qual flagramos o constante descaso do governo federal, levando o país a ter um dos piores índices de infecção e de morte por Covid-19. Cotidianamente, nos defrontamos com um líder truculento que flerta com a ditadura, que propaga notícias falsas, que prega o charlatanismo, o anticientificismo, e zomba das mortes, além de não oferecer o mínimo respaldo para a população (como o auxílio emergencial), o que caracteriza uma necropolítica orquestrada com requintes de perversidade.

 

 

Apresente-nos “Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas”

André Plez - A produção poética do livro insere-se na lírica engajada, que busca nos eventos históricos uma forma de mensuração social, promovendo uma crítica aos acontecimentos do Brasil, que desde o Golpe de 2016, vem sofrendo com atitudes arbitrárias por parte dos políticos e do judiciário. Como disse Aristóteles, a poesia é mais densa, reveladora e autêntica que os tratados de história. Por isso, a urgência desta obra em versos, que explodiram sem pedir licença, buscando descrever o horror que é viver no Brasil do bolsonarismo, tendo como protagonistas, além do verme, o vírus. Assim, além do cenário necropolítico, a obra descreve de forma lírica a crise sanitária e seus melindres. Uma obra contemporânea que dialoga com os gritos mudos surgidos, principalmente, no ano de 2020. O livro descreve, portanto, aquilo que Affonso Romano de Sant'anna disse sobre a sua poética: “uma poesia que eu não quero literária, mas que transmita sangue e vida. Enfim, política, paixão e poesia”.

 

Quais critérios foram utilizados para escolha do título do livro?

André Plez - O título não é nada fortuito em sua representação metafórica. Por um lado, temos o vírus: revelando o contexto histórico da pandemia, a crise sanitária provocada pela Covid-19. Por outro lado, temos o verme: caracterizando a figura do atual presidente do Brasil, que durante a pandemia trabalhou a favor do vírus. Quem duvidar desta última premissa, basta acompanhar as declarações oficiais do presidente, bem como as falas chulas e estapafúrdias que ele solta no dia a dia. Diante desse “binômio” esgueiram-se poemas, ou seja, com cautela os versos surgem em forma de denúncia, representando esteticamente o social, o caos, a dor, o luto e a revolta.

 

Apresente-nos um dos textos publicados na obra.

 

a morte do eu-lírico
que se esmaga ante as trevas
de infecundas e malditas palavras
que deve ouvir e relatar e gravar e poetar
para que não fuja da resposta futura
o que esse verme destroça em nossa vida
lançando rumo à fossa
nossa esperança
tardia...

 

Comente sobre a construção deste texto poético.

André Plez - No caso deste poema, valer-me-ei das palavras do poeta Getúlio Cardozo, que disse, ao lê-lo: “Remete o leitor para um tempo que está se esgotando, há versos resvalando no concretismo retirados dos escombros”. O poema denuncia a morte da voz poética, que se fere toda vez que reproduz a fala perversa do “verme”, cuja denúncia arranca do eu-lírico qualquer possibilidade de utopia, de esperança. Contudo, a arte existe para representar não apenas o belo, mas também o horror. Por isso, é necessário o grito em meio às trevas, para arrancar um pouco de luz do cotidiano pisoteado. No livro, há poemas formados por versos livres, concretos, mas também, há redondilhas, cantigas e até um soneto.

 

Confesso que fiquei curiosa, gostaria de conhecer alguns tópicos que compõe o sumário do livro, pode ser?

André Plez - O livro é composto por 54 poemas, organizados em 86 páginas. Não há uma divisão por tópicos, os títulos se esgueiram e se embaralham na descrição tanto do vírus, quanto do verme. Por exemplo, na obra, encontramos o poema “máscara”, que reflete o cenário pandêmico, a vida durante a pandemia. Em outro caso, temos o poema “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, cujo título já traz uma das falas verborrágicas do presidente, denunciando os abusos durante os “anos de chumbo” no Brasil. Além disso, os temas se desdobram, como no poema “fakenews”, “ministério sem saúde”, “classe mérdia”, “um pato na paulista” ou “lavajato”, explorando facetas da política e da sociedade brasileira desde 2016 até o presente momento. Em suma, questões políticas e sanitárias, eis os tópicos que se embrenham nesse livro de denúncias.

 

Onde podemos comprar o seu livro?

André Plez - O livro pode ser adquirido através da loja virtual da Editora Penalux. Segue o link:

https://www.editorapenalux.com.br/loja/entre-o-virus-e-o-verme-se-esgueiram-poemas

Além disso, também faço a venda a partir das minhas páginas nas redes sociais (Facebook e Instagram):

https://pt-br.facebook.com/escritorandreplez/

https://www.instagram.com/andreplez/

 

Você tem outros livros publicados, apresente-nos os títulos.

André Plez –

A Coisa em Si (2008), Casa do Novo Autor – poemas;

Tratando Sombras com Ternura (2012), Scortecci – romance;

Os Insones (2013), Editora Ixtlan – romance;

O sentido nos degraus (2014), Editora Ixtlan – poemas;

Exagerados encantos de Elena (2016), Editora Ixtlan – romance;

Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas (2021), Editora Penalux – poemas.

 

Quais os seus próximos projetos literários?

André Plez - Tenho dois romances no prelo. O primeiro, intitulado “Ecos do ego”, trata-se de um romance psicológico, que mergulha no inconsciente de um personagem angustiado, que busca nas trevas da cidade do interior uma forma de transcender sua realidade banal e opressora. O segundo, com o título “As três açucenas”, narra através do realismo fantástico a história de Emiliano, um velho fazendeiro que participa de eventos milagrosos, a partir da chegada de três caboclas nascidas misteriosamente de singelas flores. Como projeto poético, estou finalizando um livro com 280 haicais. Como um escritor está sempre escrevendo, tenho o projeto para mais dois romances, mas ainda estou na fase de pesquisa e preparação.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor André Plez. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

André Plez - Atualmente, há que se pensar a poesia como forma de militância, como forma de possibilitar a consciência social. Diante de tantas mentiras institucionalizadas, de tanta truculência e perversidade, devemos resgatar nossa consciência crítica para suportar e combater a opressão que nos cerca. Para encerrar, deixo a última estrofe do poema “aos idólatras, uma rosa!”: a face foi revelada / que horrenda sorri / um riso de deboche diante de centenas de milhares de mortos / o monstro sorri no inferno e não será perdoado / com-tudo / venceremos o ódio travestido de ódio / um dia / brindaremos / nossa face / ilesa  

 

Contatos: andreplez@gmail.com. Site: https://andreplez.wixsite.com/andreplez

 

 

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