Guigo Ribeiro - Entrevistado

Guigo Ribeiro - Entrevistado

O fim do mundo entre contos e sátiras

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Guigo Ribeiro é formado em letras pela Universidade Federal de São Paulo. Iniciou sua carreira na música, compondo diversos projetos. Atualmente se dedica ao primeiro trabalho de estúdio. Foi percussionista e diretor cênico da Verve, cia de arte negra. No teatro, integrou diversas cias e desenvolveu o monólogo “Um Soco”, em que atuou, se dirigiu e assinou a dramaturgia. Morador de São Paulo, foi colunista por dois anos do portal Desacato – A Outra Informação, além de ter ajudado na fundação do coletivo de escritores CronicArte. Na literatura, escreveu em 2017 sua obra de estreia “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou”. Também é criador da revista Punhado, projeto com conexão Brasil - Angola. Atualmente prepara o lançamento do seu segundo livro que se chama “Entre Rios”.

 

“Por isso o livro começa e termina no fim de mundo, um fim de mundo um tanto peculiar, eu diria. Entre o primeiro e último conto, história de pessoas normais que estão imersas nesse ciclo. Contudo todas as histórias são finais de mundo.”

 

Boa leitura!

 

Escritor Guigo Ribeiro, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever contos e sátiras?

Guigo Ribeiro - O prazer é todo meu. Obrigado pelo convite. Bom... escrever foi e é um jeito que tenho de falar do mundo, das pessoas. É uma maneira de adentrar universos e mostrar que são “pluriversos”. A ideia de escrever “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou” veio da necessidade de adentrar o interior dos personagens. Suas loucuras, manias, seus olhares, solidão. Escrever é uma forma de investigação.

E me interessa a complexidade humana. Dentro de cada ser, mora outros tantos e que vivem guardados ou escondidos... o que me motivou foi mostrar que existem muitas pessoas que em dado momento precisam escolher entre seus eletrodomésticos qual é o seu melhor amigo. A solidão. O intimo. Vidas me interessam e me atraem.

 

O que mais o atrai na leitura deste segmento literário?

Guigo Ribeiro - Entender que nenhuma história é verdadeira e falsa. Existe um jogo. Uma negociação. Existe um lugar de acesso ou não acesso. Me interessa a descoberta da história e, sobretudo, como contar uma história. É extremamente atraente deparar-se com o novo, o desconhecido. E nessa experiência, buscar como as palavras vão acertar, acessar. É fundamental compreender que cada história é única para cada leitor e que a leitura é extremamente individual. Pronto! Me atraem as descobertas e o quão efêmeras são.

 

Em que momento se sentiu preparado para publicar o seu livro “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou”?

Guigo Ribeiro - Acredito que teve um processo de maturação artística. Todo trabalho nasce para ganhar o mundo, todavia existe um trajeto do artista e da obra. Uma conversa franca entre ambos que atravessa diversas questões. É normal. Para além do momento, a necessidade. A arte tem vida e quando quer ganhar o mundo, fica brava, se revirando, reclamando, sabe? Por vezes é mais forte que o artista. Então, a luta pela publicação. Por achar os espaços para isso. Autor que publica o primeiro livro entende muito rápido que o caminho é longo. E que possivelmente será necessário tornar-se amigo do tempo.

 

Quais critérios foram utilizados para escolha do título?

Guigo Ribeiro - O título veio antes da obra. Eu sabia que seria sobre um dia e sobre o dia que o mundo acabou. Por isso o livro começa e termina no fim de mundo, um fim de mundo um tanto peculiar, eu diria. Entre o primeiro e último conto, história de pessoas normais que estão imersas nesse ciclo. Contudo todas as histórias são finais de mundo. Uma mulher que cria três filhos sozinha e sobrevive da busca por papelão é um fim de mundo. Um homem que adquire o hábito de seguir pessoas na rua é um fim de mundo. Vivemos o fim todos os dias. O fim e o começo. A morte e o nascer.

 

Apresente-nos a obra

Guigo Ribeiro - A história do dia e o dia que o mundo acabou caminha pelo início de um dia normal. Os  advogados foram brincar de defender as pessoas, os médicos de curar, os engenheiros pensavam pontes e os doceiros faziam sorrisos infantis. Devo admitir que o dia que o mundo acabou foi muito além dos filmes estrangeiros mal feitos, sem bombas ou fogo. O Senhor Supremo, aliás, seguia normalmente julgando nossos erros tão normais e não participou da festa. Sua cadeira confortável o permitia simplesmente assinar papéis e dizer adeus. Também não houve água visto que o mar tem coisa muito mais importante pra fazer do que invadir as construções burocráticas e frias da cidade. Cometas? Insistiam em passar longe da terra.

O mundo, na mais plena verdade, acabou em um corte súbito de conexão, como uma veia do coração que se rompe e o corpo cai.

Fragmento do conto “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou”.

 

Apresente-nos um trecho de um dos textos, publicados na obra.

Guigo Ribeiro - A bala acertou o rosto do menino e fez um estrago tão grande que sua mãe não o veria mais. Nem morto. Quando pensou em dizer algo, apenas conseguiu virar o rosto levemente num reflexo, mas coisa pouca. Quase nada. Caiu e lá ficou, sem mesmo chance de ambulância ou mesmo algum super-herói, como os que gostava de ver na televisão. O segundo ainda correu tão rápido, mais tão rápido como sua vida foi embora. Nem teve tempo de pensar em ziguezaguear como sempre planejou caso tivesse uma arma apontada para suas costas. Deu cerca de vinte passos inconscientes e o barulho do disparo o silenciou.

Fragmento do conto “Sérgio Mário”.

 

Onde podemos comprar o seu livro?

Guigo Ribeiro - No próprio site da Amazon, Bubok e na Bok2.

Livraria Bok2

Amazon

Bubok

 

O que a escrita representa para você? Comente como vem se desenvolvendo a escrita em sua carreira literária.

Guigo Ribeiro - A escrita representa a experimentação. Ocupar espaços, desafios. Gosto de estar em constante movimento. Talvez por isso que tenha feito tantas coisas teoricamente diferentes. Prestes à publicar meu segundo trabalho, entendo melhor os processos e o tempo. As demandas. Nas primeiras criações literárias, a escrita era algo escondido, como talvez quase todo escritor e escritora. Agora, representa a necessidade de expandir o trabalho. Assim venho desenvolvendo. Levando as produções para o maior número de pessoas.

 

Quais os seus próximos projetos literários?

Guigo Ribeiro - Lançamos recentemente a revista Punhado que, confirmo citei, é uma produção Brasil – Angola. Tenho trabalhado para a expansão dela e preparando a segunda edição, prevista para dezembro. Também estou preparando a terceira temporada da série literária Seu Alfred Divinu’s, projeto este que sai por volta de setembro, outubro. E, com muita calma, escrevendo um terceiro livro. No mais, participei de alguns projetos que estão para sair. Ainda sem data.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Guigo Ribeiro. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Guigo Ribeiro - Agradeço demais. Foi ótimo. E desejo que arte seja cada vez mais forte, mais ampla e potente. Me sigam nas redes. Sempre há coisas novas. Um abraço.

 

 

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